sexta-feira, 15 de maio de 2015

BA-BOOM

"SOMOS UM"


Ba-Boom! De São Bernardo para o mundo. E além. A sonoridade intencionalmente abrangente mostra que a Ba-Boom não veio para atingir poucos ouvintes, nem para estar apenas em um único lugar. Tanto que começaram embalados pelo Punk-Rock, logo estavam no Ska-Punk e daí em diante o calor da música jamaicana foi conduzindo o crescimento da sonoridade da banda. Firmaram suas estacas referenciais no Reggae, Dancehall e Dub, mas aos poucos foram ousando e adicionando sutilmente temperos da nossa Terra-Brasilis. Pitadas de Sambas, Baião e Afoxé são identificadas desde o primeiro disco ('Inscendeia', de 2012). Neste novo trabalho, além desta permuta entre Brasil e Jamaica, apresentam uma importante marca: a intrínseca relação com a música de terreiro e as poderosas alusões a cultura africana. A excelência percussiva e a força do naipe de sopros defendem muito bem a evolução da Ba-Boom. O Hip-Hop também está presente com rimas mais eloquentes e conscientes.

Neste mais novo EP, "Somos Um", de 2015, contam com participações palpáveis, como de Rappin Hood, Ba Kimbuta, Jimmy Luv e Arcanjo Ras. Ainda assim, transbordando referências e influências, conseguem um resultado uniforme, maciço, robusto. A união fez a força literal e irrefutavelmente. Trata-se de um disco maduro, onde a banda encontra o ponto certo em sua receita. Onde demarcam precisamente seus caminhos. Um salve especial para a maravilhosa capa, criada por Mariana Carvalho! Sem caô algum, todas as faixas do EP merecem retumbante destaque. Atentem-se para o poder ancestral trazido nas faixas de abertura e de encerramento, "Saravá (Parte 1 e 2)". Ouçam a versão para o clássico riddim jamaicano, "Bambam". Sigam em frente e vislumbrem a beleza das demais tracks e as valiosas e peculiares participações. O download do disco foi liberado gratuitamente no site da banda (o mesmo link está logo abaixo). A gente agradece e espalha sem dó! Divirtam-se, isto é Ba-Boom!


Dê o play, macaco!
"[2015] Somos Um"

1. Ba-Boom - Saravá (Parte 1) (1:57)
2. Ba-Boom - Chama Da Palavra (Feat. Arnaldo Tifu & DJ Spaiq) (5:09)
3. Ba-Boom - Boto Fé (Feat. Rappin Hood) (4:12)
4. Ba-Boom - Oxóssi (Feat. Arcanjo Ras) (4:11)
5. Ba-Boom - Bambam (Feat. Jimmy Luv) (4:24)
6. Ba-Boom - Conversa Instrumental (Feat. Ba Kimbuta) (4:42)
7. Ba-Boom - Saravá (Parte 2) (2:04)

~integrantes:
Buia Kalunga - Voz e percussão
Allan Spirandelli - Guitarra e voz
Raoni Gruber - Baixo
Cassiano KS - Bateria
Rafael Bira - Percussão
Marcos Guarujá - Percussão
Bio Bonato - Sax Baritono
Kiko Bonato - Sax Tenos
Victor Fão - Trombone
Felippe Pipeta - Trompete
Icarrots - Teclados
~participações:
Ana Paula Guimarães
Samanta Santos
Denise d'Paula
Arnaldo Tifu
Dj Spaiq
Arcanjo Ras
Rappin Hood
Jimmy Luv
Bá Kimbuta



sábado, 25 de abril de 2015

LADI6

"TIME IS NOT MUCH"


A belíssima neozelandesa Karoline Tamati é, nesta jornada artística, Ladi6. Seu primeiro disco, "Time Is Not Much", de 2008, é surpreendente sem tentar ser extravagante. Isto é, suas canções que ostentam muito bem o vigor do Hip-Hop e a sutileza do Soul não chegam a ser incomparáveis nem totalmente exclusivas. Vide a preguiçosa rotulação por vezes proferida como a "Erykah Badu da Nova Zelândia". Seus dotes e méritos estão mesmo nas entrelinhas, entra linhas escritas por ela própria numa busca pessoal e quase autobiográfica. Com letras, todas cantadas em primeira pessoa, que falam (e questionam) sobre confiança, otimismo, força e amor. Tem aquele feeling contagiante para lidar com as minúcias de tais questões, imprimindo com intensidade e precisão cada detalhe.

A produção do álbum ficou por conta do Dj Fitchie, produtor e um dos líderes do Fat Freddy's Drop. E, como já se podia esperar, o resultado é elegante, bem acabado e agradabilíssimo. A track "Question" é um ótimo exemplo da riqueza das nuances da obra. O disco alcançou boas premiações, uma delas foi o título de melhor álbum de Urban/Hip-Hop no New Zealand Music Awards de 2009. Também foi tida como cantora revelação quando surgiu acompanhada do grupo Sheelahroc, no começo de 2000. Depois de ser apresentada com louvor em seu trabalho solo, seus trabalhos ganharam visibilidade e, hoje, seus lançamentos são comumente aguardados com ansiedade e expectativa, principalmente entre os artistas da cena Hip-Hop. Ladi6 já correu turnê por todo o mundo, inclusive fazendo parte de eventos especiais ao lado de The Roots, De La Soul e do próprio Fat Freddy's Drop. Este maravilhoso disco deve ser apreciado sem pressa, de preferência consumido de forma integral, sem pausas ou intervenções. Apenas ouça do início ao fim e depois compartilhe a experiência!


Dê o play, macaco!
"[2008] Time Is Not Much"
link alternativo (RuTracker.org)

1. Ladi6 - Give Me The Light (3:23)
2. Ladi6 - Call You Out (Feat. Scribe) (3:23)
3. Ladi6 - So Far (4:18)
4. Ladi6 - Walk Right Up (4:38)
5. Ladi6 - Down & Out (5:27)
6. Ladi6 - Question? (5:43)
7. Ladi6 - Time Is Not Much (Boogie's Interlude) (1:59)
8. Ladi6 - Dark Brown (4:08)
9. Ladi6 - Believe Me (3:47)
10. Ladi6 - Jacknife (4:11)
11. Ladi6 - More Than Fake (Feat. Scribe) (4:47)
12. Ladi6 - Danger (Part.1) (Bonus Track) (5:29)
13. Ladi6 - Danger (Part.2) (Bonus Track) (5:01)

sexta-feira, 20 de março de 2015

PROTOJE

"ANCIENT FUTURE"


Jamaicano. Da nova sofra. Tem o flow. E bebeu da fonte! Agora, o mais relevante, chegou pra cutucar os mais desavisados e pessimistas críticos da musica atualmente produzida na Jamaica. Aqueles muitos que apontam a falência de tais produções. Oje Ken Ollivierre, vulgo Protoje, é hoje um dos mais promissores nomes dessa curiosa e crescente cena do Reggae moderno. Protoje vem chamando atenção dos mais fieis saudosistas aos mais experimentais consumidores da música jamaicana. E não à toa! Protoje deixou de ser promessa e já arrasta multidões.

Para sintetizar, hoje, os mais notáveis lançamentos, os maiores festivais e maior quantidade de apreciadores estão ligados ao revival da incrível cultura dos soundsystens. Diferente dos toasters (mcs ao estilo jamaicano) que são amparados pelos seletores (deejays ao estilo jamaicano), Protoje vem acompanhado de sua banda, chamada Indignattion. É neste ponto que toda a pompa pelo trabalho de Protoje é concebida, esta é sua carta na manga. Em performances memoráveis, o Dancehall, Dub e Roots Reggae é apresentado de forma direta, saindo de cada instrumento "ao vivo e a cores". O que digo é que o talento e o feeling de cada músico envolvido dá o teor especial ao coquetel. Poderia rimar sobre os mais furiosos riddims sem problema algum, mas prefere a soma de referências e experiências individuais, conseguindo, então, obter uma sonoridade robusta, rica e poderosa. Algo inerente, segundo minha tese, exclusivamente a artistas que têm na retaguarda a colaboração de suas bandas ou suas big-bands.

"Ancient Future", lançado agora (março de 2015) é o terceiro álbum de Protoje e sua facção. Depois de terem gravado com Ki-Mani Marley e terem entrado, por exemplo, na trilha de uma das rádios do Grand Theft Auto (GTA), chegam para marcar de vez seu espaço. O disco tem passagens e linhas variadas, usa de receitas da velha escola sem jamais perder a contemporaneidade. Destaque para a faixa "Who Knows" em parceria com Chronixx, outra "promessa jamaicana". Isso é Protoje e esta é minha tese, qual é a sua?


Dê o play, macaco!
"[2015] Ancient Future"
link alternativo: Torrent (ThePirateBay)

1. Protoje Feat. Mortimer - Protection - (4:31)
2. Protoje - Criminal - (3:52)
3. Protoje Feat. Chronixx - Who Knows - (3:26)
4. Protoje - All Will Have To Change - (5:19)
5. Protoje - Stylin' - (3:29)
6. Protoje Feat. Sevana - Love Gone Cold - (4:46)
7. Protoje Feat. Jesse Royal And Sevana - Sudden Flight - (3:37)
8. Protoje - Bubblin - (4:12)
9. Protoje - Answer To Your Name - (3:53)
10. Protoje - Who Can You Call - (3:49)
11. Protoje Feat. Kabaka Pyramid - The Flame - (5:02)

Acesse o site oficial! | Compre o álbum pelo iTunes!