terça-feira, 22 de julho de 2014




MICHAEL KIWANUKA

"HOME AGAIN"



Há uma geração de cantores ingleses que têm conseguido construir rupturas para lá de interessantes dentro da produção apática da indústria cultural contemporânea. São eles alguns frutos raros da indústria, daqueles que quando usufruímos, saboreamos, dançamos, cantamos, mas ainda lamentamos, seja pela sua passageira doçura, quanto pela rareza em desfrutar música fresca, viva e pulsante, em oceanos de enlatados culturais. Quando penso nestas espécies raras penso obviamente em Corinne Bailey Rae, e Amy Winehouse, que fez muito, em uma carreira meteórica. Lembro-me até hoje do quão dissonante era vê-la nas telas da MTV, e não menos espetacular. Cada segundo, saboroso. E já que falamos em surpresas, aproveitemos o dia de hoje para ouvir mais uma voz dissonante dessa geração, o cantor Michael Kiwanuka.

Algo parecido com a sensação de ser transportado para outra era - que também se sente quando se dá o play em um album como Back to Black de Winehouse - vem à tona ao dar o play em Home Again. Tudo no disco indica ao ouvinte que o que começa a vibrar em nossos ouvidos, tem uma origem que remonta aos tempos gloriosos da soul music. E realmente, seguindo os pilares que dão sustentação ao album, percebe-se que as peças são alinhadas para soar retrô, desde os timbres das guitarras, até a capa do album que conta com um filtro em tom de sépia. Além disso, Kiwanuka tem sido apontado pela crítica como um cantor que lembra Bill Withers, Ottis Redding ou Terry Callier, sinal de que a produção do album também acertou a mão nesta afinação.

Ao mesmo tempo, ao meu ver é importante destacar que essa estética age ao mesmo tempo como um guia para o garoto Kiwanuka na edificação de sua obra. Ou seja, suas referências não causam engessamento, pelo contrário, agem como um esboço inspirador, em que ele vai colorindo com belas camadas de experiência pessoal. Com uma carreira curta - de apenas um EP e um disco - o cantor não teme em estender seus passos para outros gêneros musicais, o que resulta em uma mistura de paletas sonoras. Com estas explorações, Home Again alça vôo em direções nem tão óbvias: vai em direção ao country e o folk em músicas como "Always Waiting", e também atinge um pop minimalista que lembra Jack Johnson como na canção "Home Again", que dá nome ao album. Com tanto potencial e muits elogios rasgados, resta saber se a timidez fará o jovem cantor morrer na praia, ou se ele continuará trilhando caminhos interessantes. Para confirmar teorias e comparações, resta aguardar a ação do tempo. Por ora nos contentemos com o play de Home Again!



Dê o play, macaco!
"[2012] Home Again"
links alternativos: FLAC

1. Michael Kiwanuka - Tell Me a Tale
2. Michael Kiwanuka - I'm getting ready
3. Michael Kiwanuka - I'll Get Along
4. Michael Kiwanuka - Rest
5. Michael Kiwanuka - Home Again
6. Michael Kiwanuka - Bones
7. Michael Kiwanuka - Always Waiting
8. Michael Kiwanuka - I Won't Lie
9. Michael Kiwanuka - Any Day Will Do Fine
10. Michael Kiwanuka - Worry Walks Beside Me

quinta-feira, 3 de julho de 2014




SPANKY WILSON & THE QUANTIC SOUL ORCHESTRA

"I´M THANKFUL"


Não há melhor espanador que um bom Soul/Funk - e se tiver um potente vocal envolvido a faxina fica ainda mais divertida! Para tirar a poeira aqui da Oficina de Macacos, convocamos a faxineira de luxo Spanky Wilson. E, como o trabalho é pesado, Spanky traz na maleta a melhor ferramenta do mercado: a consagrada Quantic Soul Orchestra. Pra quem não conhece tal produto, trata-se de um dos vários projetos do intocável produtor Will Holland - uma das mentes mais brilhantes e criativas da música moderna. Rapidamente, o trabalho prestado por Will Holland pode ser elencado como um dos mais representativos da cena do Soul/Funk atual devido sua versatilidade e alcance técnico. Além do Soul/Funk, Will tem reverenciadas obras na linha de Hip-Hop, Cumbia, Afrobeat, Reggae e Jazz, através de projetos como The Limp Twins, Ondatrópica, Quantic & His Combo Bárbaro, The Quantic Soul Orchestra, Quantic Y Su Conjunto Los Míticos Del Ritmo e Flowering Inferno. Com Spanky Wilson à sua frente, Will Holland com sua trupe faz a farra tangenciar a perfeição!

Spanky Wilson está na lida desde os fervorosos anos 60. Trabalhou com grandes nomes como Marvin Gaye, Nat Adderley, Jimmy Smith e Lalo Schinfrin. Lapidou seu talento através das décadas. Sua voz, seu canto carrega aquele calor "que só o Funk tem" - faz perna tremer, cabeleira levitar e coração balburdiar. Outro investidor neste caso é Todd Simon, que, ao lado de Will Holland, escreveu e produziu o álbum. Além destes, claro, a Quantic Soul Orchestra tem ações valiosas nessa bolsa. A linha de metal ou o intimo groove entre bateria e baixo, valorizam o argumento. De fato um disco preciso, compenetrado e enérgico. Comece dando o play, logo estaermos compartilhando as mesmas sensações!



Dê o play, macaco!
"[2006] I'm Thankful"

1. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - I'm Thankful (Part 1) (4:03)
2. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - A Woman Like Me (3:37)
3. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Blood From A Stone (3:16)
4. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Don't Joke With A Hungry Man (Part 2) (3:28)
5. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Don't Joke With A Hungry Man (Part 3) (3:26)
6. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - That's How It Was (4:14)
7. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Message To Tomorrow (3:03)
8. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Waiting For Your Touch (3:45)
9. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - You Can't Judge A Book By It's Cover (2:59)
10. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - I'm Thankful (Part 2) (4:01)
11. The Quantic Soul Orchestra & Spanky Wilson - Introducing (Bt.) (2:35)

Quantic.com e Discogs.com

Preview:

quarta-feira, 14 de maio de 2014




OFICINA DE MACACOS PODCAST - VOL.8

"DEEPEST DROP"


Pois é, Josés! Em meio à uma estranha temporada de maré baixa aqui no blog, lançamos a nossa mais nova mixtape! Pra compensar, de longe, o hiato de postagens e afins, Johnny Wazagoo' mixou 80min com altos petardos da música que mais nos agrada. Isto é, linhagem rara de DigiDub, Dubstep, Breaks, Hip-Hop e Dancehall - pra malaco nenhum botar defeito. Nomes como Racionais MCs, Matéria Prima, Cabes e MC Ralph ostentam a bandeira brazuca. Já em termos extra-continentais temos, dentre outros, Alborosie, Blend Mishkin, Gramatik, Jk Soul, Dirty Dubsters, Dj Cut La Vis, Mungo's Hi-Fi, Solo Moderna e Fort Five Knox. Aumente o som no radinho, tire a mãe da casa, chamem os bons e o resto é festa! Gracias, primatas!


Para fazer o download do podcast na íntegra, clique aqui!