sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CURTIS MAYFIELD

"SUPERFLY (2002 SUNSPOTS LIMITED EDITION)"

Após um certo tempo de pesquisas frustradas, informações desconexas e downloads equivocados, orgulhosamente venho repostar, devidamente argumentado, este que é um dos mais importantes projetos na nossa Oficina de Macacos. Este clássico do movimento negro tem "somente" 28 edições lançadas em todo mundo! A versão que disponho agora é a edição especial limitadíssima de apenas 1500 cópias lançada em 2002, apenas na Itália, pelo selo incógnito Sunspots. Para mais info sobre tal edição, clique aqui ou aqui! ~repostado por zinhotrinta



A importância de Curtis Mayfield ainda será reconhecida e ele saudado como um dos maiores gênios da história da música popular. Cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador, produtor, empresário, produtor executivo - ele não apenas sabia fazer de tudo como fazia tudo bem. Seu controle de qualidade fez com que Chicago entrasse na disputa com Detroit e Memphis pelo troféu de capital do soul americano nos anos 60.

Em Chicago, Curtis compunha canções para ele mesmo arranjar, tocar e cantar ao lado de sua primeira banda, os Impressions. Junto e misturado a sua banda formada por Jerry Butler, Sam Gooden e os irmãos Arthur e Richard Brooks, Curtis Mayfield foi um dos primeiros compositores a falar de direitos civis e do orgulho negro, sendo rapidamente assimilado por quase todos que ouviram suas canções. Os temas de suas canções eram sempre sérios, mas cantados de forma pacífica e apaixonada. Com arranjos doces e marcantes (como seu próprio falsete, um primor de voz), ele convidava o ouvinte a refletir sobre a realidade, ao mesmo tempo em que condensava sentimentos em frases simples. A banda encarnava a atmosfera irresistível ao exercitar dotes vocais vindos do doo-wop e do gospel, levando o soul à mesma direção que os Beach Boys guiavam o rock.

Curtis saiu dos Impressions em 1970, para desenvolver suas próprias idéias em carreira solo, Curtis não deixaria gravadora nenhuma intrometer-se em seu trabalho e resolveu lançar os seus próprios através da Curtom Records, sua nova empresa. Seus primeiros discos davam-lhe razão pela carreira seguida: "Roots" (1971), "Curtis" (1972) e "Curtis Live" (1991) mostravam todo potencial que ele escondia por trás de simples canções pop. Suas novas canções davam margem a improvisos jazz-funk de apelo impossível de resistir.

Ironicamente, o disco em cujo empenho artístico Mayfield foi mais precioso não era sequer um álbum seu! Convidado para fazer a trilha sonora do filme "Superfly" (baixe o filme agora!), ele viu no projeto a chance de cantar a vida no gueto sem forçar a barra. Até então, suas canções falavam de temas sociais, mas nunca sem entrar em detalhes mais fortes, sempre traçando um panorama e descrevendo uma paisagem sentimental com palavras e canções. Ao colocar a lente de aumento sobre a vida de um traficante disposto a fazer seu último negócio e se aposentar, Curtis fotografa uma parte da vida americana praticamente ignorada pela mídia.

Era o início do que mais tarde seria conhecido como o gênero blaxploitation. Filmes feitos por negros sobre o glamour da bandidagem e da vida na sarjeta, eles contavam com trilhas sonoras matadoras, compostas basicamente de grooves cavalares e funks frenéticos, usados em cenas de sexo, tiroteios ou perseguição. Precursores do "gangsta rap", essa geração era igualmente conhecida por sua apologia ao excesso. O estereótipo gigolô de fala mansa, terno cor-de-rosa, chapelão amarelo, charuto e sapato de couro de crocodilo nasceu deste universo blaxploitation. Todos os traficantes que vimos mais tarde, em "Miami Vice" ou "Anjos da Lei", são atualizações oitentistas para clichês inventados naquela época.


(cod. #SPOT514)



Dê o play, macacos!
"[2002] Superfly (Sunspots Limited Edition)"

Disc One: Superfly Original Soundtrack
1. Little Child Runnin' Wild
2. Pusherman
3. Freddie's Dead
4. Junkie Chase (Instrumental Version)
5. Give Me Your Love (Love Song)
6. Eddie You Should Know Better
7. No Thing On Me (Cocaine Song)
8. Think (Instrumental Version)
9. Superfly

Disc Two: Additional Tracks & Alternate Versions
10. Ghetto Child (Demo Version Of "Little Child Runnin' Wild")
11. Pusherman (Alternate Mix With Horns)
12. Freddie's Dead (Instrumental Version)
13. Junkie Chase (Instrumental)
14. Militant March (From The Film Score)
15. Eddie You Should Know Better (Instrumental Version)
16. No Thing On Me (Instrumental Version)
17. Superfly (Single mix)
18. Freddie's Dead (Single Mix)
19. Radio Spot #1
20. The Underground (Demo Version)
21. Check Out Your Mind (Instrumental Studio Jam)
22. Radio Spot #2

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

MADLIB

"SPETO DA RUA: DIRTY BRAZILIAN CRATES - VOL.1"



Primeiro deejay, depois produtor e por último MC. Assim se descreve Madlib ("Mind Altering Demented Lessons In Beats"). Nascido Otis Jackson Jr em Oxnard, California, Madlib é conhecido sob uma infinidade de pseudônimos, e é um dos mais renomados e aclamados produtores de hip hop pela crítica. Madlib se faz presente em uma vasta gama de projetos de variados artistas: The Alkaholiks, Mos Def, De La Soul, Ghostface Killah, Talib Kweli, A.G., MF Doom (como Madvillain), e com o finado J. Dilla (como Jaylib).

"Speto de Rua" é o resultado de uma fértil crate-diggin realizada por Madlib em uma viagem feita pelo nordeste brasileiro em 2007. A mixtape exala essa fertilidade musical trazendo à tona verdadeiras obscuridades que Madlib esculpe com proeza. Verdade seja dita, Madlib sabe muito bem como quer um projeto musical e essa definição só ajuda na coesão temática, que acaba por conduzir o ouvinte a curtir o disco na íntegra, deixando ótimas impressões e fazendo-nos repetir incansavelmente várias canções presentes no disco.

Traz pedaços de "Circo Marimbondo", "Os Grilos", "Portal do Sol", "Bobeou Não Vai Entender", "Quem Sera", "Trem Azul", além da dupla Caju & Castanha e a Gal Costa (toda contente e feliz) e mais um bocado de preciosidades. Ao dar o play nesta pedra de faixa contínua, torna-se compreensível o por quê do caso de amor de Madlib com a nossa música, bem como o de vários outros artistas do mundo que acabam fisgados por rítmos pulsantes, vivos e sedutores dos mais variados cantos do Brasilzão!



Dê o play, macaco!
"[2008] Speto da Rua: Dirty Brazilian Crates Vol.1"

1. Untitled (61:08)

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"BRASIL IN TIME - BATUCADA COM DISCOS"

Para sentir como foi a trip de Madlib e de outros músicos americanos como o baterista Paul Humphrey pelo nordeste brasileiro em 2002, a Oficina de Macacos disponibiliza os link para download do documentário "Brasil In Time: Batucada Com Discos". O foco do documentário é a troca de experiências entre os músicos, os crate-diggins de Madlib e por fim os beats providos destes dois focos anteriores. Alguns músicos brasileiros que marcam presença no documentário são: DJ Nuts (Marcelo D2), João Parahyba (Trio Mocotó), Mamão (Azymuth), Wilson das Neves (que já tocou com vários artistas do grado de Chico Buarque) e Comanche (Jorge Ben).


Download Parte 1 / Parte 2

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

EUGENE MCDANIELS

"OUTLAW"

Uma coisa que já faz parte de minha vida e que estou sempre recorrendo é a busca referencial. E ao iniciar esse post me lembrei logo de um professor que tenho e que um dia tocou nessa questão, pontuando o quão importante é se aprofundar nessa busca e não se limitar. Na ocasião tratavamos de "artistas gráficos". E a questão era colocada dessa forma, ao admirar um artista gráfico, pense: Em quais outros artistas gráficos este cara que admiro se inspira? Quais artistas ele admira?

Só falo isso porquê esse artista que eu agora coloco na Oficina de Macacos, só conheci com esse ímpeto. E aconteceu ao assistir um vídeo em que Ahmir ?uestlove, baterista do The Roots, abre sua coleção de discos para uma entrevista e mostra suas pedras mais afiadas. "Headless Heroes of the Apocalypse" era um desses discos ... Aí conheci o talentoso Eugene McDaniels!

Nascido no Missouri em 1935 e crescido em Omaha, Nebraska, Gene McDaniels passou por uma transformação nos anos 60. Como muitos outros norte-americanos de sua época, cresce em McDaniels uma consciência política e social que o transforma de um simples cantor de canções soul comercial em uma voz revolucionária, que clamava ferozmente e não poupava esforços ao criticar a conduta moral da nação americana. McDaniels era um revolucionário, e sua arte não poderia deixar de refletir seu brado.

Sua música é soul, e quando falo de soul não pense em Al Green, nem Isaac Hayes (embora seja um pouco mais próximo deste). É a música soul de um estudante de História que se cansou de ser massa de manobra de um Estado incoerente e contraditório e se põe contra este. É o soul de um homem cansado de um sistema rachado, e que tem como propósito reformulá-lo e corrigí-lo através da arte.

"Outlaw" tem uma alma bem diferente de Headless Heroes. Com uma pegada bem mais rock, abre com cowbells empolgantes. Eu diria que lembra Stones em alguns momentos, embora prefira McDaniels disparado tanto pela sensibilidade quanto pela primazia técnica. Neste álbum Gene McDaniels reuniu uma banda potente, com o lendário baixista de jazz Ron Carter e o onipresente guitarrista setentista Hugh McCracken. Um grupo que exalava a essência revolucionária do característico hippie-folk-funky. A banda é amplamente responsável pela incrível coesão do registro ao trazerem estilos díspares, que juntos fazem-se declarações poderosas e duradouras.



Dê o play, macaco!
"[1970] Outlaw"

1. Eugene McDaniels -Outlaw (5:00)
2. Eugene McDaniels - Sagittarius Red (3:03)
3. Eugene McDaniels - Welfare City (2:52)
4. Eugene McDaniels - Silent Majority (4:10)
5. Eugene McDaniels - Love Letter To America (3:57)
6. Eugene McDaniels - Unspoken Dreams Of Light (6:40)
7. Eugene McDaniels - Cherrystones (3:08)
8. Eugene McDaniels - Reverend Lee (6:31)
9. Eugene McDaniels - Black Boy (2:59)

domingo, 6 de dezembro de 2009

LARRY SAUNDERS & OTHERS

"FREE ANGELA"



Muito me encanta a arte engajada. À meu ver o engajamento com certeza torna o conjunto de uma obra mais impressionante. E é sabido que podemos fazer uma leitura muito mais profunda e válida da arte e consequentemente das questões que esta circunda, se conhecermos seu propósito, seu envolvimento. Tomando como ponto de partida essa discussão venho colocar na Oficina um disco simplesmente incrível. A capa com certeza me chamou a atenção de cara: objetiva e impactante.

Free Angela é um disco de tributo à Pantera Negra Angela Davis, que na época fora presa por meio de uma ação do FBI para desmantelar e desqualificar o movimento. Acusaram a organização de ser subversiva ao Governo Norte-Americano, e acusaram Ângela Davis, de ser uma das mentoras da invasão ao plenário da Assembléia da Califórnia. Ela ainda tentou se esconder, até que fosse provada sua inocência, mas foi capturada pelo FBI e teve que amargar 17 meses na prisão.

A música não poderia deixar de ser negra e tem um expressivo toque sulista. Grandes linhas melódicas, pianos que tocam no fundo da alma, vocais empolgantes, e a sessão de metais que dão aquele toque essencial ao pacote. Gêneros variados são abordados no disco, que vai do mais grooveado e enérgico funky à mais melancólica Rhythm&Blues, o disco só peca na qualidade do áudio que não é das melhores. (Confira a ótima matéria na íntegra no blog Marco Negro)




Dê o play, macaco!
"[2005] Free Angela"

1. Larry Saunders - Free Angela (6:07)
2. Larry Saunders - This World (4:58)
3. Mr. Wiggles - Old Uncle Tom Is Dead (7:09)
4. Larry Saunders - Where Did Peace Go (3:37)
5. Dickie Wonder - Nobody Knows (2:38)
6. Brother Love - I Can Be (3:55)
7. Little Tommy - Baby Can't You See (2:45)
8. Judd Watkins - Paradise (3:07)
9. Soul Encyclopedia - Geraldine Jones (3:08)
10. Oscar Wright - Leave Me Alone (2:46)

sábado, 5 de dezembro de 2009

MOTOWN FLIES JAMAICA

"MOTOWN FLIES JAMAICA - VOL.1 + VOL.2"



O reggae sempre teve muitos pontos em comum com a soul music americana apesar das particularidades serem consideráveis. Acho que por mais que existam intersecções entre ambos gêneros, esbarra-se na questão da identidade nacional. Quem viu o clássico Rockers com certeza se lembra da cômica cena em que Leroy Wallace e seu camarada tiram uma onda com toda a galera que frequentava um bar onde a soul music dominava as caixas de som, quando tomam de assalto a seção de som do ambiente.

Apesar da existência desse conflito identitário eu venho mostrar a todos como essa interssecção de rítmos foi válida, importante e por fim: impressionante! O conceito dos discos que vos apresento é o seguinte: Versões jamaicanas para as mais finas canções da grande gravadora de soul music Motown. E o resultado é esplêndido!

Para se chegar à tal resultado, foram feitos overdubs em fitas acapella. Como conseguiram tantas fitas acapella de grandes canções como "War" de Edwin e Slimmy Taylor, "I Heard It Through The Grapevine" de Marvin Gaye, "Never Can Say Goodbye" de Michael Jackson e Olly Buck, "Same Old Song" de Four Tops e "My Girl" dos Temptations, entre outras, é um mistério, e há quem aposta na possibilidade da própria Motown estar envolvida no projeto.

Estar ou não envolvida de fato pouco importa, pois quando você leitor/ouvinte der o play nesta pedra, vai se esquecer do mundo e simplesmente sentir a música. Se liga!

Durante a Guera Fria, a Jamaican Airlines organizou vôos ultrasecretos entre Detroit e a Jamaica. A proposta desses vôos era de incitar um intercâmbio cultural entre artistas americanos e jamaicanos. Essas fitas permaneceram em segredo durante muito tempo. Algumas faixas destas sessões secretas estão agora disponíveis em vinil (Será realidade ou apenas um sonho?...)



Dê o play, macaco!
"[2008] Motown Flies Jamaica - Vol.1"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Edwin & Slimmy Taylor - War (4:12)
2. Diana & King Storm - Love Hangover (3:43)
3. Lionel & Olly Buck - Easy (5:00)
4. Marvin & Henry Tipper - I Heard It Through The Grapevine (3:58)
5. Isley & The Steadies - This Old Heart Of Mine (3:22)
6. Little Stevie & Jay "Dusty" Smith - Upfight (3:40)
7. The Temptations & Slimmy Taylor - Get Ready (4:11)
8. Diana & King Storm - Keep Me Hangin On (3:12)
9. The Marvelettes & The Steadies - Please Mr. Postman (2:57)

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Dê o play, macaco!
"[2008] Motown Flies Jamaica - Vol.2"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Smokey & Slimmy Taylor - Going To A Gogo (3:28)
2. The Temptations & The Steadies - My Girl (3:29)
3. Michael & Olly Buck - Never Can Say Goodbye (3:41)
4. Four Tops & King Storm - Same Old Song (2:47)
5. Marvin & Jay "Dusty" Smith - Sexual Healing (5:27)
6. Martha & King Storm - Heatwave (5:05)
7. Marvin & Henry Tipper - Stubborn Kind Of Fellow (2:37)
8. Stevie & Jay "Dusty" Smith - Superstition (4:21)
9. Mary Wells & The Steadies - My Guy (3:42)
10. Funk Brothers & Henry Tipper - What's Going On (3:44)

sábado, 28 de novembro de 2009

MIDNITE

"RAS MEK PEACE"


A banda Midnite é originária de St. Croix, nas Ilhas Virgens Americanas. Mantendo o mesmo apelo e musicalidade do reggae roots da década-de-ouro de 70, está ao lado de grandes poetas da "velha escola jamaicana". Fomentada em 1989 basicamente pelos irmãos Vaughn Benjamim e Ron Benjamin, são fiéis representantes dos verdadeiros regueiros, levando a fé e essência rasta em suas letras, miram a opressão, preconceito e falhas desse sistema corrupto. Com uma proposta revolucionária e ao mesmo tempo saudosista, compõem ao estilo "chant and call", método que acolhe com entusiasmo quaisquer preceitos rasta. Fundaram o próprio estúdio chamado African Roots Lab, e por lá passaram grandes nomes da cena: Steel Pulse, Dezarie e Barrington Levy são alguns deles.

Este é o primeiro disco da banda e (acredite!) foi gravado ao vivo dentro de um quarto, com quase nenhum aparato tecnológico. Ao ouvir você pode pensar que isso é impossivel pois a qualidade é muito boa, apesar de não implementarem as guitas com nenhum tipo de efeito (simplesmente sem delay, nem reverb). Acho que foi aí o Ras Mek Peace mostra sua identidade poderosa: unindo simplicidade, foco e sinceridade. A inovação está, sem dúvida, em suas letras fieis e honrados louvores a Jah. O Midnite deve ser associado praticamente aos irmaos Benjamin, na maioria dos projetos posteriores era Vaughn nos vocais, Ron nas teclas e um grupo de colaboradores tocando ou produzindo. Destaque para as faixas: "Hieroglyphcs", "Banking In The Pig" e "Empress". Força ao verdadeiro reggae de raíz!!!

Midnite explode em performances ao vivo com shows que excedem frequentes 3 horas. Seu som vigoroso, rígido, dirigido pelas linhas de baixo cria uma vibração que penetra diretamente ao coração. Midnite é uma das bandas mais emocionantes do cenário Reggae hoje. Quebrando todas as regras, Midnite está ajustando um novo padrão. Armado com uma fundação firme em Jah Rastafari, seus talentos naturais, e uma visão musical forte e descompromissada, o Midnite vem para reerguer as raízes fortes e sinceras do Reggae para os tempos modernos e conturbados de hoje... Graças a Jah! ~Surforeggae




Dê o play, macaco!
"[1999] Ras Mek Peace"

1. Midnite - Pagan, Pay Gone (6:36)
2. Midnite - In The Race So Far (6:19)
3. Midnite - Banking In The Pig (5:54)
4. Midnite - Hieroglyphcs (7:26)
5. Midnite - Empress (6:36)
6. Midnite - Lion Wears The Crow (6:15)
7. Midnite - Natty Watching You (6:56)
8. Midnite - Rasta Man Stand (7:28)
9. Midnite - Love Right (6:10)
10. Midnite - Folish And The Wise (6:48)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JOHNNY OSBOURNE

"TRUTHS AND RIGHTS (2008 DELUXE EDITION)"



Após um longo período sem postar algo dos velhos tempos, falo de coisa da década de 70 ou meados, acho que agora é a hora! Esta autêntica relíquia eu tenho a um bom tempo no estoque. Porém, recentemente buscando mais info sobre, vi que em 2008, a Heartbeat Records lançou uma excelente edição DELUXE, para deleite da galera. Incluindo 6 faixas bônus, até então desconhecidas e que, claro, não estavam presente no disco original de 1979, gravado no Studio One. Nada tem mais a cara da Oficina de Macacos do que estas preciosas edições especiais! \o/

Trata-se do clássico "Truths and Rights" de Johnny Osbourne. Não ouse pensar que este é apenas mais um daqueles que pegaram carona no boom da cena reggae no final da decada de 60 (era onde reinava Bob Marley, Israel Vibration e Gladiators), e sabe-se que seu sucesso se deu realmente nos anos 80 com a onda do dancehall. Enfim, Osbourne brilha forte, com sua própria luz (convenhamos que ele deve ser muito grato ao Bob mas isso é outra estória). Esta obra é daquelas que se destaca por sua vibração, exaltação e particular concepção. Assim como toda a boa leva setentista, carrega linhas de baixo relativamente simples e marcantes; escaleta, metais e teclados bem sincronizados; timbre ousado e bem definido na voz de Osbourne; batera com pegada arrebatadora e altamente incitante.

Ah, tudo isso coordenado e orquestrado pelo gênio dos estúdios Clement Coxsonne Dodd. Não por acaso este disco recebeu a premiação máxima em 2008, na categoria Best Vocal Album Reissues, pelo apurado site Roots-Archives (ficando no topo da lista, na frente de gente como Jacob Miller, Lee Perry e The Maytals). Destaque para a faixa homônimo ao disco "Truths & Rights" e "Cant Buy Love + Swing Easy".  Um grande salve a Johnny Osbourne, respeitem sempre as "Verdades e os Direitos Humanos"!



Dê o play, macaco!
"[2008] Truths & Rights (Deluxe Edition)"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Johnny Osbourne - Truths And Rights (3:00)
2. Johnny Osbourne - Children Are Crying (3:35)
3. Johnny Osbourne - Cant Buy Love (2:17)
4. Johnny Osbourne - Jah Promise (3:57)
5. Johnny Osbourne - Nah Skin Up (2:57)
6. Johnny Osbourne - We Need Love (3:41)
7. Johnny Osbourne - Eternal Peace (2:51)
8. Johnny Osbourne - Sing Jay Stylee (2:54)
9. Johnny Osbourne - Love Jah So (2:20)
10. Johnny Osbourne - Let Me In (2:54)
11. Johnny Osbourne - Jealousy Heartache And Pain (3:25)*
12. Dub Specialist - Luanda (3:34)*
13. Jah Jesco & Jucey Bravo - West Gone Black (2:44)*
14. Johnny Osbourne - Truths And Rights (Extended Version) (5:55)*
15. Johnny Osbourne - Sing Jay Stylee (Extended Version) (3:51)*
16. The Soul Vendors - Cant Buy Love + Swing Easy (6:35)*

* bonus track

domingo, 22 de novembro de 2009

NOVI SINGERS

"TORPEDO"


Um dos propósitos da Oficina de Macacos certamente é o de garimpar preciosidades, caçar bichos estranhos, nunca antes vistos, sob grande penumbra e obscuridade, de modo que possamos trazer estes para a superfície, para luz, causando assim o espanto e o desespero geral. Seguindo à risca essa nossa meta, venho trazer-lhes uma das minhas mais profundas buscas musicais. Na boa meus camaradas, passei alguns bons meses buscando encontrar esse disco dessa banda polonesa de vocal jazz, e após certo tempo apreciando sozinho (confesso), creio que chegou a hora de dividir.

Descobri a banda por acaso, por meio de uma coletânea de psycho-funk entitulada "Beyond The Valley Of The Beats", e que também já pensei algumas vezes em disponibilizar por aqui. A melhor música do disco era justamente da banda polonesa. Após essa grande procura e vários torrents sem seeders consegui achar o disco num fórum russo. Não perdi tempo, me cadastrei e o amigo google deu uma mãozinha com a tradução do alfabeto sirílico.

Você deve estar pensando: como assim Polônia? E eu respondo: sim, a Polônia. O fato é que o país detinha uma exímia cena de jazz, graças às migrações de músicos alemães para o território no período entre guerras. Lançado pelo famoso selo de jazz polonês, Muza, Torpedo é um disco de total inovação.

A história do grupo começa em 1964, quando Bernard Kawka, estudante do conservatório de Warsaw decide fundar um grupo de jazz com outros estudantes, escolhendo a voz como o instrumento ideal. Os membros originais são Ewa Wanat (violino), Janusz Mych (flauta), Waldemar Parzynski (percussão), Aleksander Gluch and Bernard Kawka (violino), todos cantavam e tocavam.

Não se sabe se o que dita o rítmo alucinante das canções são as vocalizações (inspiradoras), ou se é o trote dos instrumentos que os faz soltar a voz de um jeito tão sincero. Fica difícil destacar algumas músicas em detrimento de outras, pois tal ato facilmente pode fazer-se injusto. Portanto, deixo para vocês, leitores e ouvintes o julgamento.

"Há uma epidemia do rótulo. Todos rotulam todos - parece que algumas pessoas não conseguem durmir sem ter tudo extritamente classificado. Eu não dou a mínima se alguém diz que eu canto música de igreja, e alguém diz que são marchas militares e alguém mais imagina se é jazz. (...) Eu não ligo para o que vai ser chamado, só me importa que seja bom." ~Bernard Kawka dos Novi Singers



Dê o play, macaco!
"[1970] Torpedo"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Cos specjalnego - Something Special [04:07]
2. Wujek Gucio - Uncle Gucio [03:20]
3. Ostatni dzien na Bondi Beach - The Last Day on Bondi Beach [05:01]
4. Torpedo [02:41]
5. Misfit [03:29]
6. Wszyscy razem - All Together [03:09]
7. Wlasnie teraz - Right Now [02:47]
8. Psychologicznie-fizjologicznie Psychological-Physiological [03:59]
9. Hurry, Hurry Temat z wariacjami - Hurry, Hurry Theme with Variations [02:48]
10. Quartus [01:04]
11. Szalony ksiezyc - Crazy Moon [03:57]

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FAT FREDDY'S DROP

"BASED ON A TRUE STORY"



Bom, amantes da boa música, andava sem tempo pra um post realmente a caráter da nossa Oficina de Macacos. Então... "Vamo que vamo que o som não pode parar!". Desta vez o que vos trago é um exótico presente da Velha-Nova-Zelândia. Fat Freddy's Drop, do estado de Wellington, foi uma aquisição consideravelmente subestimada por mim. Há tempos tinha visto alguns vídeos de shows e não tinha me impressionado. Mas agora com um olhar mais atento, quase vulnerável, e ouvido mais que aberto, devo dizer que este já figura no meu top5 no quesito inovação e ousadia, dentre toda diversidade relacionada, hoje, ao gênero "reggae".

Neste CD de 2005, "Based On A True Story", a banda segue uma linha bem experimental, os formatos fogem (ou quase) do padrão, a média das faixas é quase 7min de virtuoso groove. Mesmo assim venderam demais, ao ponto de ganharem, com o single "Wandering Eye", o prêmio da escolha do público no New Zealand Music Awards, em 2006. Não é pra menos, Joe Dukie canta com eximia firmeza, a banda segura a onda no reggae enquanto combinam bons e velhos conselhos do avô Soul e do bizavô Jazz. Com backings vocals e caídas ao estilo Motowniano e passagens com timbre Dubístico, conseguiram atingir um estilo único, descontraído e habilidoso. Chega de conversa, segura aí esse tijolo-baiano... haha!



Dê o play, macaco!
"[2005] Based On a True Story"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Fat Freddy's Drop - Ernie (7:17)
2. Fat Freddy's Drop - Cay's Crays (7:07)
3. Fat Freddy's Drop - This Room (5:00)
4. Fat Freddy's Drop - Ray Ray (7:38)
5. Fat Freddy's Drop - Dark Days (6:40)
6. Fat Freddy's Drop - Flashback (6:31)
7. Fat Freddy's Drop - Roady (7:10)
8. Fat Freddy's Drop - Wandering Eye (9:49)
9. Fat Freddy's Drop - Del Fuego (5:24)
10. Fat Freddy's Drop - Hope (7:20)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

MATO SECO

"SECO MAS NÃO MORTO"



"Desde a era mais remota, do tempo mais longínquo, o homem vive a guerra. Grandes batalhas foram travadas, muito sangue foi derramado e toda a carnificina foi exaltada. Mesmo sabendo que poucos gozariam da vitória, a guerra não parou... E não nos libertou! Não se busca a PAZ com guerra, não se chega à LUZ pela escuridão. Mas, a lei da Vida é clara, muito clara e não há quem deixe de pisar o chão na terra sem se entender com ela. O mal vem como uma maldição, e amaldiçoado o que vem com o mal. Pois o terá todo para si, e o homem que faz a guerra, terá a guerra, e a peste para si. Chuvas ácidas derreterão seus cavalos de Tróia. Um efeito estufa como fogo, reduzirá a pó seus castelos de cera. Nada terão para colher aqueles que não plantam nada, pois pra quem tem o BEM, o mal não é nada! Pra quem tem AMOR e FÉ no Pai da Vida, o mal não é nada... nada. O tempo passou, a guerra não parou, mas o mal também não reinou. E que saiba que nunca reinará, e que com a música, arte, poesia divina, viva em cada um nos libertamos e louvamos à JAH! Estamos aqui e o homem mal saiba que nunca reinará... Nunca reinará!" ~Marcha do Povo

É assim que começa essa nova empreitada do Mato Seco, e mostram que não estão à jogar conversa fora.  A banda de São Caetano, formada em 2002, apresenta seu mais novo projeto intitulado "Seco Mas Não Morto". Nome  forte  e músicas que batem forte, mas não te fazem sentir dor, assim como todo autêntico reggae de raíz. Além da pegada marcante, hoje a banda se mostra mais convicta e firme em seus princípios. Diversos aspectos são apresentados: ritmos vibrantes, mensagens positivas dignas de reflexão, sábias poesias e respeitáveis louvores a Jah! A banda vem evoluindo e atraindo uma multidão em seus shows ou festivais. Talvez isso se dê por sua memorável presença de palco (e de espirito), ou por suas letras simples e sinceras, ou pela sintonia e harmonia proporcionadas.

Posso dizer que todas as faixas são de bom grado, mas enfatizo a atenção para "Tem Que Viver", "Jah Sabe Jah Vê", "Direção Que o Vento Vai" e "Raíz Forte", além do remake rasta de dois clássicos de Chico Buarque em "Construção + Deus Lhe Pague". Nesse ano de 2009, abriram o show do Groundation em Guarulhos-SP, no qual tive a oportunidade de presenciar e foi simplesmente incrível, a melhor banda brazuca abrindo o show da melhor banda gringa! Enfim, lá pude ver que o Mato Seco vai além, o front-man Rodrigo Piccolo em uma das conversas com a plateia, se mostrou a favor dos downloads dos CDs da banda e  incentivam toda forma  de promover a liberdade artística em geral. Então... baixe e purifique-se ouvindo essa verdadeira obra-prima brasileira.

"Jah me recompensa com a música. Com a força que ele, oh Jah, põe no meu cantar!" ~Recompensa de Jah, faixa 10




Dê o play, macaco!
"[2009] Seco Mas Não Morto"
pass: oficinademacacos.blogspot.com

1. Mato Seco - Guerra (A Marcha Do Povo) (3:12)
2. Mato Seco - Seco Mas Não Morto (6:13)
3. Mato Seco - Não Precisamos De Você (5:36)
4. Mato Seco - O Amanhã (6:55)
5. Mato Seco - Jah Sabe, Jah Vê (4:59)
6. Mato Seco - Há Mentes (5:23)
7. Mato Seco - Caminho Da Luz (6:52)
8. Mato Seco - Pra Ser Forte (4:50)
9. Mato Seco - Tem Que Viver (5:35)
10. Mato Seco - Recompensa De Jah (4:55)
11. Mato Seco - Construção + Deus Lhe Pague (6:31)
12. Mato Seco - A Direção Que O Vento Vai (6:20)
13. Mato Seco - Raíz Forte (5:11)
14. Mato Seco - Que Jah Te Guie (6:58)

~integrantes:
Rodrigo Piccolo (guitarra, vocal)
Carlos Eduardo Gonçalves (percussão, backing vocal)
Mauro Peres Jr. (percussão, backing vocal)
Marcos Lacerda (guitarra)
Eric de Oliveira (guitarra)
João Paz (orgão, piano)
Tiago Rezende (bateria)
Osvaldo Ciziniauskas (baixo)