terça-feira, 1 de abril de 2014




BOLA SETE

"SHEBABA"


As raridades musicais sempre foram nosso alvo. Para relembrar em alto estilo nosso ideal, vamos resgatar em sequência alguns dos principais discos da raíz da música brasileira. Aqueles misteriosos discos chamados pelos gringos especializados de "Brazilian Rare Grooves" - alvos corriqueiros de pesquisadores e colecionadores de plantão. Relíquias, quase sempre, da década de 60, 70 e adjacências. Pra iniciar nossa trabalhosa saga, trazemos o som de Bola Sete (e seus "sete dedos em cada mão")!

Vamos então, resumir (mas nem tanto) sua historia. O carioca Bolsa Sete, Djalma de Andrade de batismo, nasceu no Rio de Janeiro em 16 de Julho de 1923. Já aos três anos de idade identificou-se com o violão de um tio e arriscou as primeiras notas. Cresceu próximo à música e aos 10 anos já mostrava diferenciado talento. Djalma frequentou a Escola Nacional de Música no Rio de Janeiro, onde estudou violão clássico, e formou seu primeiro grupo. Nessa época ganhou o apelido Bola Sete. "Como único músico afro-brasileiro do grupo, a ele foi dado o apelido de Bola Sete. A bola sete no bilhar brasileiro é a bola preta. Ele manteve Bola Sete como seu nome profissional(...) Essa é a história de seu apelido, como foi contada para mim.", conta Anne Sete, ex-mulher de Djalma. Logo aprofundou seus estudos com o mestre Dilermano Reis e partir daí a conversa ficou séria. Assíduo apreciador da música de Django Reinhardt, Barney Kessel, Charlie Christian e Oscar Moore, do trio de Nat King Cole, assimilou bem o que a "Escola do Jazz" tinha pra passar. No final dos anos 50, Djalma resolveu, após varias apresentações na América do Sul, uma experiência pouco notável na Europa e alguns grandes shows nos E.U.A., decidiu mudar-se para a terra do Tio Sam. Onde viveu com uma carreira prestígio e sucesso até 1987!

Agora o que mais nos interessa nessa momento: sua música. Em 1971, lançou um disco que marca seu trabalho e se transforma em objeto-desejo de muitos garimpadores de sebos ao redor do globo. Gravou o estupendo álbum chamado "Shebaba", lançado nos E.U.A. pelo selo Fantasy Records. O disco ganhou importância que alcançava além dos quesitos técnicos. Foi a inédita releitura de Bola Sete sobre a música brasileira de raíz. "Eu gravei 'Shebaba' em 1971 com um quinteto. 'Shebaba' foi o primeiro álbum que eu gravei baseado na música folclórica do Brasil. Toquei os tipos de canções que eu ouvia sendo executadas nas feiras das ruas no Brasil", ressaltou Bola Sete à revista Guitar Player. Além disso, confeccionou especialmente para a gravação deste disco um instrumento chamado Lutar, baseando-se no Alaúde. O Lutar tinha treze cordas, seis duplas e uma simples. Como toda essa bagagem e aparato, o quinteto concebeu um disco fenomenal e irreparável!

Com cinco faixas inéditas de autoria própria, trouxe também o requinte da música popular brasileira com roupagens modernas e inovadoras. Veja o samba-rock entoado em "Baccara", o baião de "Bola Beat" e o groove pesado de "Roda" do Gilberto Gil. A faixa-chefe do disco "Shebaba", traz o peso do swing latino à lá Osibisa. Sem contar a versão virtuosa de "Polythene Pam + She Came In Through The Bathroom Window" e de "My Sweet Lord", respectivamente de John Lenon com McCartney e de G. Harrison. Grooves malemolentes, calorosos e admiráveis. Um disco que apresenta o autêntico sangue musical brasileiro que faz pulsar o coração, balançar o esqueleto e alimentar alma!


Dê o play, macaco!
"[1971] Shebaba"

1. Bola Sete - Shebaba (3:35)
2. Bola Sete - Complicado (3:42)
3. Bola Sete - Bola Beat (3:44)
4. Bola Sete - Polythene Pam + She Came In Through The Bathroom Window (5:58)
5. Bola Sete - Roda (3:47)
6. Bola Sete - It's Gonna Change (3:25)
7. Bola Sete - Melossa (3:09)
8. Bola Sete - Baccara (2:29)
9. Bola Sete - My Sweet Lord (5:11)
10. Bola Sete - Street Market (4:12)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014




JUNIOR BYLES

"BEAT DOWN BABYLON"


Quem foi que disse que o ano de 1972 foi mágico apenas na "Terra Brasilis"? Grandes discos surgiram nesse ano, todos pegando carona na década inspiradora de 1970. A joia rara que desenterramos hoje foi concebida em solos jamaicanos, lapidada com talento e ousadia de Junior Byles. Com uma voz poderosíssima, boas referências e originalidade, Byles gravou seu primeiro disco. Ligeiro, cheio de estilo e de qualidades irretocáveis, este é o resultado da obra. Atingiu nas dez faixas que compõem o disco a unanimidade técnica, é improvável citar sequer uma faixa medíocre. O que poderíamos, deleitosos, reclamar é o pouco tempo de duração da experiência - apenas 27 minutos do mais magnifico groove. (Será que termino de escrever tudo antes do disco parar de tocar aqui?)

Ainda na onda do rocksteady, com lindas melodias e aquela carga trazida do soul americano, é um disco que nos remete àqueles tempos. Tempos cheios de dificuldades, belezas e aspirações. Com Byles não foi diferente, como muitos buscou na música uma saída! E saiu pela crista da onda, com seu talento reconhecido rapidamente e logo disseminado aos montes mundo à fora. Tanto que algumas tracks deste disco foram recompiladas e até receberam novos nomes em outros lançamentos. Também tornou-se o queridinho de Lee Perry (que foi quem produziu o disco em questão) e era sempre convocado para sessões em seus estúdios na Trojan Records. Aproveite sem pressa todo o requinte do sabor da música jamaicana em sua melhor safra: a de 1972!


Dê o play, macaco!
"[1972] Beat Down Babylon"

1. Junior Byles - Da Da (3:32)
2. Junior Byles - I've Got A Feeling (2:27)
3. Junior Byles - Don't Know Why (2:45)
4. Junior Byles - Demonstration (2:34)
5. Junior Byles - Coming Again (2:32)
6. Junior Byles - Beat Down Babylon (2:36)
7. Junior Byles - A Place Called Africa (2:56)
8. Junior Byles - Joshua's Desire (1:59)
9. Junior Byles - A Matter Of Time (3:14)
10. Junior Byles - Poor Chubby (2:35)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014




FRENTE CUMBIERO & MAD PROFESSOR

"FRENTE CUMBIERO MEETS MAD PROFESSOR"


Depois de um breve hiato, seguido de respectivos questionamentos dos macacos mais sedentos por email, voltamos com uma tacada de cunho excelente e quase totalmente inédito! Com as tecnologias vigentes, o poder das mídias sociais, a liberdade de informação, a proximidade de conteúdo concebido principalmente pela internet, o novo nunca foi tão experimentado ou perseguido. Vemos artistas em todo globo misturando sem dó os mais variados gêneros e ritmos musicais. O que de mais inusitado podemos listar? Diversas influências, de todos os ramos, marcam presença nas melhores obras artísticas atualmente. Embora muitos gêneros, em algum momento, de alguma forma, incorporaram o dub em suas produções, faltava algo de "puro sangue latino" entrar na onda. Preenchendo impecavelmente este vão surge o mais novo trabalho do banda Frente Cumbiero.

Foi nesta praia que um pessoal, muito sabido, de Bogotá resolveu investir suas fichas. Frente Cumbiero, com o intuíto de mesclar o dub à musica colombiana, convocou um dos mais experientes marinheiros para a guiar o barco. Mad Professor com toda sua bagagem, então, desembarca na terra da cumbia. Um encontro que, em 2010, cominou no lançamento do disco chamado "Frente Cumbiero Meets Mad Professor". Foram três dias submersos em um estúdio gravando e recebendo orientações de Mad Professor e seu filho Joe Ariwa. Com toda sua maestria no estúdio, Mad Professor seguiu adicionando efeitos espaciais, recortando e colando psicodelia entre as sessões da Frente Cumbiero. Para deixar a brincadeira mais séria convidaram artistas locais para rimar e improvisar nas bases recém providas da "Cumbia Dub". O que foi sintetizado disso tudo é um disco maravilhoso com sete faixas em suas ver~soes originais seguidas de seis releituras adubadas que o professor poderia fazer. Dance firme, vibre forte com essa buena onda colombiana com adornos honestos de um dos ultimos gurus do dub desta era!


Dê o play, macaco!
"[2010] Frente Cumbiero Meets Mad Professor"

1. Frente Cumbiero & Mad Professor - Chucusteady (4:24)
2. Frente Cumbiero & Mad Professor - Bestiales 77 (5:12)
3. Frente Cumbiero & Mad Professor - Ariwacumbé (5:32)
4. Frente Cumbiero & Mad Professor - La Bocachico (3:41)
5. Frente Cumbiero & Mad Professor - Gaita Del Profesor Loco (3:00)
6. Frente Cumbiero & Mad Professor - Cumbietiope (4:04)
7. Frente Cumbiero & Mad Professor - Analógica (8:09)
8. Frente Cumbiero & Mad Professor - Chucusteady Dub (4:26)
9. Frente Cumbiero & Mad Professor - Bestiales 77 Dub (5:18)
10. Frente Cumbiero & Mad Professor - La Bocachico Dub (3:42)
11. Frente Cumbiero & Mad Professor - Cumbietiope Dub (4:07)
12. Frente Cumbiero & Mad Professor - Analógica Dub (5:34)
13. Frente Cumbiero & Mad Professor - Ariwacumbé Shaunvox Dub (Bonus Track) (5:34)