"...aos pássaros e o silencio: o grande espírito da música que sustenta este planeta com harmonia e ao Brasil que me gerou negro, índio, branco, cafuzo, mestiço, mulato, misturado com o resto do mundo...muito, muito grato!", assim terminam a dedicatória e os agradecimentos desse disco contemporâneo de um artista sensível. Foi com ele que tudo começou.
Nossas histórias se tangenciam desde o inicio dos anos 90 no bar "Ah! Bruta Flor do Querer" em Araçatuba, SP, reduto de boemia cultural. Nei Zigma é irmão de Zé Aurélio, também músico, figura que conheci primeiro e com quem tenho mais convivência. Tenho a mãe deles por minha, então, ambos são meus irmãos por opção.
Saiu de Araçatuba, SP, logo depois para estudar em Londrina, PR, e de lá migrou para São Paulo onde vive até hoje, quando não passa uma temporada pela Europa apresentando "...uma fusão que brinca com os ritmos de outros cantos do mundo.", conforme diz em algum lugar do encarte. Este assinado por Fábio Issao e que é, em si, uma obra completa. A foto do inicio do texto é de Cristiane Ceneviva com produção de Márcia Zugliani e Juliana Palma.
Quando nos conhecemos, festivais de música eram comuns e Nei Zigma, com suas composições e um timbre suave, ganhava quase todos que participava. Os festivais minguaram, mas as apresentações em bares, quase sempre acompanhadas por seu irmão, Zé Aurélio e depois no teatro foram, pouco a pouco, lapidando seu jeito de tocar e compor. Sua mão direita imprime um ritmo suingado ao violão como se vê poucas vezes e sua voz "like a bird", hipnotiza. Nas internas, conheci muita coisa boa e ouvi releituras impagáveis, como: "Light my fire" do The Doors ou "O vento" de Dorival Caymmi, dentre outras.
Não acompanhei a criação desse disco. Na realidade, soube dele pronto, quando ele me pediu para arrumar uma casa à beira do Rio Tietê para abrigar os músicos do show de lançamento, que aconteceria em dezembro de 2009 em Araçatuba, SP. Não se espante, aqui o Tietê é limpo, navegável, nadável, pescável e com condomínios as suas margens.
Arrumei a casa e comecei a me envolver com outras coisas, ajudando a produzir o show, que foi um sucesso. Os músicos, a equipe técnica e os amigos mais próximos curtiram o "after" à beira do Rio Tietê no maior astral. Por isso disse no inicio desse texto, que aqui tudo começou. Foi ajudando nessa "produça", que percebi que era infeliz trabalhando com TI, partindo em busca de novos horizontes.
Além da competência de Guilherme Held nas guitarras, José Aurélio na 'timbatera' e Fábio Sá no baixo, esse disco contra com a produção de Alfredo Bello, o "DJ Tudo" e participações incríveis de Lanny Gordin, guitarrista lenda da Tropicália, violão de Marquinho Mendonça, trompa de Manoel Pessoa, kalimba de Chandra Lacombe, violoncelo de Dimous Goudaroulis, percussão de Simone Sou e flauta e sax de Marcelo Monteiro. A mixagem e a masterização são de Maira Martucci e Leonardo Nakabayashi do Estúdio Terreiro do Passo.
Nei Zigma agradece "...aos sabiás (que em meio ao caos de São Paulo, persitem cantando." Persistência, por ela, eu agradeço a ele, que em meio ao caos, segue nos (en)cantando.

01-Caminho do Vento (3:50)
02-Pequeno Louva Deus (4:56)
03-Fruta Madura (3:44)
04-Lua de Maio (5:32)
05-Reflexos (5:02)
06-Filhos de Peixe (5:51)
07-Cai do Ceu (4:46)
08-Imagens (2:53)
09-Brinquedo (4:09)
10-Em Segundos (3:39)
11-Fio Terra (5:29)
12-Wish (4:31)