CLEMENTINA DE JESUS: CLEMENTINA E SEUS CONVIDADOS

10/10/2016 Unknown

Você acredita em arquitetura celeste? Tava tomando umas geladas, no bar do Jeová, esquina da Praça Benedito Calixto, com amigos que esperavam amigos, quando um deles chega com esse disco a tiracolo. Logo identifiquei a capa de Elifas Andreato e estabelecemos uma paixão comum. Ele tinha acabado de comprar o disco para sua coleção, pois como eu, era maluco pelas capas desse ícone.

Nessa ocasião, eu estava em São Paulo por ter ganho uma bolsa de estudo numa faculdade particular, tradicional e fudidona. Cheguei lá empolgado, mas a real é que o curso e o ambiente esnobe do lugar eram uma bosta e me desinteressei logo de cara, indo procurar qualquer outra coisa pra ocupar coração e mente. Sendo assim, fiz dois cursos na SP Escola de Teatro, um no SENAC 24 de Maio e um no CCJ na Vila Cachoeirinha, ZN de São Paulo, bairro onde nasci, mas nunca vivi. Ali sim, eu me encontrei e encontrei Aninha.

Clenio é representante de uma das maiores indústria de prensagem de vinil do mundo e estava no Brasil para fomentar a retomada da produção de LPs, os nossos adorados “bolachões”. Aninha além de ser um doce, tem tantos atributos acadêmicos que nem dá pra descrever por aqui, dava curso de Elaboração de Projetos, que tinha como método, produzir algo a vera.

Entre cervejas e desatinos, propus ao Clenio uma exposição de capas de discos feitas pelo Elifas, metendo o louco, que elaboraria o projeto e buscaria apoio financeiro. Ele falou que conhecia muita gente do meio fonográfico, inclusive o próprio “capista”. Então, liguei para o SESC Birigui e falei da ideia, que foi previamente “aceita”. Só faltavam alguns detalhes, já que para assinatura de um contrato, eu deveria apresentar um orçamento, além de um projeto, que nem existiam e que comecei desenvolver no curso com ajuda da Aninha.

Clenio me chama pra jantar em um restaurante da Vila Madalena, sem que eu soubesse que era do filho de Elifas, que escutava tudo na surdina. Fui para acertarmos o uso de uns painéis próprios para acomodação de LPs que Clenio estava importando da gringa. Conversamos animados sobre a idolatria ao capista, sobre o projeto e fomos embora. Dois dias depois, ele me liga avisando da reunião com Elifas Andreato, me revelando sobre o que aconteceu no restaurante dias antes. Seria a tal arquitetura celeste!?

Excitado, fiquei dias feito louco, respirando, almoçando, bebendo, transando e vivendo o projeto, que finalmente ia apresentar a um ídolo. Ficamos na recepção por uns 40 minutos até a recepcionista nos encaminhar a sala de reuniões. Lá sou recebido por Bento, aquele do restaurante e logo em seguida, entra Elifas, nos cumprimenta, se senta perguntando o que eu pretendia. Com o coração a milhão, comecei por me apresentar, enquanto entregava material impresso a eles. Assim fui discorrendo minha proposta, que fez por outra, era interrompida por ele, sempre muito gentil e atento aos detalhes. Ao final ficamos conversando por quase uma hora após o término de minha explanação. Então, ele se despediu, pedindo que eu enviasse a Bento, a minuta do contrato, onde ele, além de permitir o uso de seu nome, liberaria algumas capas inéditas e confirmaria sua presença em um bate-papo.

O desenho(foto acima) do encarte desse disco foi usado para toda a identidade visual da exposição que aconteceu em 2012 com 120 capas, seus respectivos LPs e se chamou: O Artista da Capa - Exposição de capas de discos de Elifas Andreato. Teve exibição de documentário sobre o artista e no bate-papo participaram, além do homenageado, o dono da coleção, Clenio; a artista plástica, Nele Azevedo; já que a Aninha tinha um compromisso fora do país e o Alfredo Bello, conhecido como DJ Tudo, que a noite fez uma discotecagem cabulosa com repertório dos discos expostos. Enfim, viva a arquitetura celeste!

De 1979, Clementina e convidados, conta com as participações de Cristina Buarque, Clara Nunes, Roberto Ribeiro, João Bosco, Martinho da Vila, Yvone Lara, Adoniran Barbosa, Carlinhos Vergueiro, Nelson Sargento, entre outros. Tem a masterização e corte de Osmar Furtado, mixagem de Nivaldo Duarte, arranjos e condução de Maestro Nelsinho, capa de Elifas Andreato e Iolanda Husak, produção de Fernando Faro e gravado por Dacy, Mairton Bahia, Roberto Castro.


Dê o play, macaco!
Download | Discogs

1 - “Tantas Você Fez” convidada Cristina Buarque – Letra: Candeia 3:44
2 - “Embala Eu” convidada Clara Nunes – Letra: Albaléria 3:05
3 - “Cocorocó” convidado Roberto Ribeiro – Letra: Paulo da Portela 2:43
4 - “Olhos Da Azeviche” – Letra: – Jaguarão 3:00
5 - “Boca De Sapo” convidado João Bosco – Letra: Aldir Blanc, João Bosco 3:30
6 - “Laçador” – Letra: Cantoni, Clementina De Jesus 2:43
7 - “Assim Não Zambi” convidado e Letra: Martinho Da Vila 4:13
8 - “Na Hora Da Sede” – Letra: Braguinha, Luis Américo 2:50
9 - “Sonho Meu” convidada Yvone Lara – Letra: Delcio Carvalho, Yvone Lara* 3:25
10 - “Torresmo A Milanesa” convidado Adoniran Barbosa, Carlinhos Vergueiro – Letra: Adoniran Barbosa, Carlinhos Vergueiro 2:34
11 - “Caxinguelê Das Crianças” – Letra: José Ventura 2:12
12 - “Papel Reclame” – Letra: Nelson Sargento 2:46

Antonio Carlos Nicolau, 44, com formação em TI, é produtor cultural. Suas primeiras impressões musicais estão entre 1980 e 84 por meio de especiais de TV para crianças (A arca de Noé I e II, Pirlimpimpim, Pluct Plact Zuum). Em 1985, assistiu, também pela TV, o Rock in Rio e logo teve o primeiro LP do Iron Maiden em suas mãos. Desde então vem de sentidos abertos a quase tudo e todos.

 
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