THE ROLLING STONES: STRIPPED

17/10/2016 Unknown

Você pode não se dar conta, mas gosta de Bob Dylan, mesmo nunca tendo colocado um disco dele pra tocar. Suas músicas estão em uma infinidade de trilhas de filmes, comerciais e discos de outros artistas mundo afora. Antes do Nobel de literatura, Dylan já ganhou alguns Grammys, um Pulitzer, um Oscar, entre outros e eu li em algum lugar que dar a ele esses prêmios é como dar ao Everest um prêmio como maior montanha do mundo. Mesmo assim, minha relação com a obra desse artista não tem nenhuma proximidade direta.

Lá, de Green Day à Miley Cirrus, de Guns and Roses à Nina Simone, de Jimmy Cliff à Jimmy Hendrix, de Adele à Rage against the machine, regravaram de suas canções. No Brasil, Skank com “Tanto” - I want you, Caetano Veloso com Jokerman e tradução para Gal Costa em “Negro Amor” - It´s all over now, baby blue, Fagner com “Romance no Deserto” - Romance in Durango, Zé Ramalho gravou um disco com “O vento vai responder” - Blowin´in the Wind e “Bate na porta do céu” - Knocking on Heaven´s Door, entre outros regravaram. Suas canções foram muito regravadas na Espanha e em muitos outros países por tudo quanto é tipo de bandas, grupos e interpretes.

Mas houve uma república feminina da UNESP por aqui, que era uma antiga escolinha de crianças, onde tudo era adaptado para os pequenos. A casa tinha parquinho no fundo com escorregador, balanço, gira-gira, entre outros brinquedos e os banheiros tinha “mini-louças”, ou seja, privadinhas e piazinhas rebaixadas na altura da criançada. Tinha até uma mini-piscina que mais parecia uma jacuzzi sem motor.

Nessas circunstâncias, Stripped do The Rolling Stones foi lançado em novembro contendo "Like a rolling stone" e é claro que ouvíamos sem parar, porque essa música e o disco são foda. Acontece que chegaram as férias e as meninas viajaram, deixando as chaves da república comigo e, o saudoso e já falecido, Petrolinho. Meu aniversário é em dezembro, então comprei 24 caixas de cerveja, uma para cada ano de vida, chamei a banda de uns amigos e convidei geral pro rolê.

Do lado, morava a mãe de um delegado e é claro que a polícia baixou na porta por diversas vezes. Quando isso acontecia, desligávamos o som e diminuamos o ritmo. Ficamos uns três dias fazendo festa, na seguinte pegada. Quando acabava alguma coisa, rolava uma vaquinha e a parada continuava. Algumas pessoas iam embora pra, pelo menos, trocar a roupa, umas passeavam seus corpos feitos mortos vivos, outras dormiam em algum canto até ressuscitar, botar fogo na churrasqueira, ligar o som e, pouco a pouco, começar tudo de novo. O portão ficava encostado, então muitas pessoas passaram por lá e ninguém se importava com a ordem dos acontecimentos, afinal ninguém quer saber como você se sente, estando sozinho, por estar sem lar, por ser um completo desconhecido, como uma pedra rolando.

Me lembro bem do B.O. que deu, quando as férias acabaram e as donas voltaram pra lá. Tinha reclamação de tudo quanto era vizinho, polícia, imobiliária e o escambau. Elas ficaram cabreras, comigo e com o Petrolinho e só não nos xingaram de santos, nos deixando perdidos na vida, "like a rolling stones". No final das contas, ficou tudo bem. Rimos muito disso, quando elas mesmas retomaram as festas no início do ano letivo. Até ficamos amigos do delegado.

Passado um ano, a maioria delas se formou. Eu estava lá no dia da mudança e entrega das chaves. Todos choraram muito. Foi duro e triste, mas seguimos nossas vidas, "like a rolling stone". Hoje, tantos anos depois, quase não temos mais contato por muitos motivos, algumas eu nunca mais vi, algumas casaram, uma eu namorei e o término não foi legal e com outra tretei por pisar na bola por causa de grana emprestada nunca paga, mas foda-se. Fomos muito, mas muito felizes, nessa etapa da vida e tivemos o Bob Dylan nos emocionando por diversas vezes por meio dos Stones.

Stripped é de 1995, e tem nos Backing Vocals de Bernard Fowler, Chuck Leavell (tracks: 7, 9, 10, 13), Darryl Jones (tracks: 10), Lisa Fisher*; Baixo de Darryl Jones (tracks: 10), Teclados deChuck Leavell (tracks: 7, 9, 10, 13), Orgão de Don Was (tracks: 4), Percussão de Bernard Fowler (tracks: 1, 8, 9), Saxofone de Andy Snitzer e Bobby Keys, Trombone de Michael Davis, Trompete de Kent Smith e produção de Don Was e The Glimmer Twins, gravação de Ed Cherney, Mixagem de Bob Clearmountain e Ryan Freeland.



Dê o play, macaco!
Download | Discogs | Site Oficial

1."Street Fighting Man" Mick Jagger, Keith Richards 3:40
2."Like a Rolling Stone" Bob Dylan 5:38
3."Not Fade Away" Norman Petty, Charles Hardin 3:06
4."Shine a Light" Mick Jagger, Keith Richards 4:38
5."The Spider and the Fly" Nanker Phelge 3:29
6."I'm Free" Mick Jagger, Keith Richards 3:13
7."Wild Horses" Mick Jagger, Keith Richards 5:09
8."Let It Bleed" Mick Jagger, Keith Richards 4:15
9."Dead Flowers" Mick Jagger, Keith Richards 4:13
10."Slipping Away" Mick Jagger, Keith Richards 4:55
11."Angie" Mick Jagger, Keith Richards 3:29
12."Love in Vain" Robert Johnson 5:31
13."Sweet Virginia" Mick Jagger, Keith Richards 4:16
14."Little Baby" Willie Dixon 4:00

Antonio Carlos Nicolau, 44, com formação em TI, é produtor cultural. Suas primeiras impressões musicais estão entre 1980 e 84 por meio de especiais de TV para crianças (A arca de Noé I e II, Pirlimpimpim, Pluct Plact Zuum). Em 1985, assistiu, também pela TV, o Rock in Rio e logo teve o primeiro LP do Iron Maiden em suas mãos. Desde então vem de sentidos abertos a quase tudo e todos.

 
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