JARDS MACALÉ: JARDS MACALÉ

06/09/2016 Unknown

Esse disco me comove de um jeito mais que especial. Demorei a saber de sua existência. E demorei ainda mais para ouví-lo. Tempos a atrás, um amigo sempre tocava alguma coisa do Jards ao violão, em reuniões despretensiosas, churrascos de final de semana ou finais de festas de faculdade. Curtia, mas não dava muita importância. Ignorante e imaturo, não me interessava por alguém tachado de maldito pelos contemporâneos da Tropicália e achava que apenas o rock’n’roll salvava as almas sebosas. Hoje admito que estava enganado e me orgulho de ter passado essa fase.

Vai entender… Admirava, mesmo sem conhecer a obra, um poeta chamado Waly Salomão. Por vezes via esse maluco em algum programa, quase sempre, da TV Cultura, estrebuchando pensamentos “desconexos” com uma verborragia incomum. Na real, não sabia que aquilo ela boa literatura, mas ela me atingia. Me chapava e deixava impressões cada vez mais nítidas.

Fui me interessando por outros gêneros e artistas. Ouvindo relatos sobre esses artistas e sobre esse disco. Então conheci a sua história de Lanny Gordin, lenda-viva da guitarra no Brasil que toca muito nesse disco. Ouvia uma música aqui, outra ali, mas nunca tinha ouvido, como se deve, saca!? Vinil, Lado A, Lado B e repetir esse processo algumas vezes, nem sempre nessa ordem. Na boa!? Ter admiração por três figuras distintas, unidas num disco precisava de maior atenção. Então fiz o obvio, baixei o disco e ouvi sem parar, já que não se acha ele com muita facilidade nos sebos da vida. Por ter sido ousado, encalhou nas prateleiras e saiu rápido de catalogo. Muitas vezes chorei e ainda choro ouvindo. Esse disco tem uma atitude punk e isso, pra mim, é muito poderoso.

Escreveram por aí, que o disco, mesmo composto basicamente de violão, baixo e bateria, não fica com o som fica vazio, já que a cozinha é de primeiríssima qualidade e o violãozinho é o cão de saia chupando manga embaixo da goiabeira!

Com Direção de produção de Guilherme Araújo, Arranjos de Jards Macalé, Lanny Gordin e Tutty Moreno, capa de Luciano Figueiredo e Oscar Ramos. Eu digo, esse disco é uma aula de jazz! Vale dizer, que ouvi tudo que pude do Jards e li tudo o que encontrei do Waly. Assim descobri "Real Grandeza", parceria de Jards Macalé parcerias e Waly Salomão. Logo menos deixo minhas impressões sobre esse outro disco por aqui. Também ouvi tudo que encontrei do Lanny, figura que depois conheci pessoalmente e com quem tive momentos especiais que conto noutra oportunidade. Ainda não dei muita importância a Capinam, outro letrista renomado, que assina grande parte das composições do disco e segue em minha lista de curiosas necessidades.

Ouvir o LP, demorou ainda mais. Mas, camarada, quando isso aconteceu, foi irreversível. O mais louco é que não me lembro exatamente quando e onde isso se deu. Não sei se foi em São Paulo em alguma madrugada etílica na casa de Luana, Pierre e Paula ou em Araçatuba, em alguma reunião despretensiosa, churrascos de final de semana ou fim de festa na Oficina de Macacos. Por obra do destino e por ser produtor cultural, tive contato com a esposa e empresária de Jards para produzir um show de outro artista de seu portfólio. Certo dia, após algumas conversas com ela ao telefone, não aguentei e rasguei elogios ao Jards e a esse disco. Ela pediu licença, interrompeu a conversa e eu fiquei avulso ao telefone por alguns minutos até que uma voz rouca diz meu nome perguntando se eu tava bem. Aos prantos, não consegui responder.





Dê o play, macaco!
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1. Jards Macalé - Farinha Do Desprezo (5:35)
2. Jards Macalé - Vinheta Vapor Barato (0:27)
3. Jards Macalé - Revendo Amigos (5:01)
4. Jards Macalé - Mal Secreto (2:58)
5. Jards Macalé - 78 Rotações (4:54)
6. Jards Macalé - Movimento Dos Barcos (2:44)
7. Jards Macalé - Meu Amor Me Agarra & Geme & Treme & Chora & Mata (4:08)
8. Jards Macalé - Let's Play That (5:45)
9. Jards Macalé - Farrapo Humano (4:20)
10. Jards Macalé - A Morte (1:41)
11. Jards Macalé - Hotel Das Estrelas (1:02)

Antonio Carlos Nicolau, 44, é produtor cultural. Suas primeiras impressões musicais estão entre 1980 e 1984 por meio de especiais de TV para crianças (A arca de Noé I e II, Pirlimpimpim, Pluct Plact Zuum). Em 1985, assistiu, também pela TV, o Rock in Rio e logo teve o primeiro LP do Iron Maiden em suas mãos. Desde então vem de sentidos abertos a quase tudo e todos.

 
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