
Rhythm And Poetry, RAP ou Ritmo e Poesia. Gênero que ouço pouco. Não tenho discos, nunca baixei e quase nunca ponho pra tocar virtualmente. Conhecia "Pânico Na Zona Sul", uma música do Racionais MC´s, porque tocava bastante em algumas rádios de São Paulo nos anos 80, quando estava de férias e visitando parentes. Tocava até mesmo em algumas casas noturnas, nos carros, festas de periferia que ia com meus primos.
Fica fácil perceber que minha limitação, quando me relato que os únicos discos de RAP que ouvi inteiros foram "Raio X Brasil" e "Sobrevivendo no Inferno" do Racionais MC´s. Nessa época tinha me mudado para São Paulo e jogava basquete numa quadra pública do Jabaquara, quando estouraram nas rádios "Fim de semana no Parque" e "Homem na Estrada". Por sentir uma identidade brasileira na parada, quis ouvir e ouvi muito esses discos.
Além desses, não me lembro de ter ouvido outros discos do começo ao fim, afinal eu ouvia o tal de rock. Na real, nem conhecia o cenário. Pô, mas nem o Facção Central? Não. E Sabotage? Conheci apenas uma ou duas músicas, apesar de saber que o cara é uma lenda. RZO? Não. Algo mais? Não.
Conforme o mundo foi girando ao redor do sol, a parada foi crescendo pelas beiradas, nas periferias, indo além, invadindo condomínios e se alastrando pelo país. Outra coisa que aconteceu com força nos anos 90, foi o lance de misturar estilos e gêneros musicais. Aí, pra mim, curtidor de rock, o RAP nacional começou a fazer sentido, achando sua identidade através de grupos que usavam esse artificio, como por exemplo: Pavilhão 9, Planet Hemp, Charlie Brown Jr, entre tantas outras. Todas seguindo a "onda gringa" criada por bandas como Run DMC, RHCP, Beastie Boys, por exemplo.
De lá pra cá, muita coisa legal foi feita e o RAP brasileiro, além da identidade, alcançou o status de gênero musical importante. O disco "Tupi or not Tupi" de Fábio Brazza, me traz essa sensação. Mistura a tradição ao cheiro de tinta fresca, o inóspito estrangeiro e a intimidade acolhedora. Tudo com um fluxo muito grande de informações e gêneros variados, estofadas por uma produção muito cuidadosa, arranjos bem esculpidos e um conceito e coerência artística invejável.
Ao ouvir esse disco, pode se achar que não é um disco de RAP. Não se engane, esse disco é de RAP. Ritmo e poesia brasileira, legítima e da boa. Com participações de Arnaldo Antunes, Isadora Morais, Caju & Castanha, Mato Seco e Grupo Reduto, fica fácil perceber que esse disco viaja pelo Brasil, seus ritmos e poesias.
Tem forró. Tem reggae. Pegada indígena e africana. Viola e sanfona. Tem coco e embolada. Tem rock e até balada. Tem samba, tem jazz. Ele rima de um jeito que não sei como se faz.
Já a produção musical ficou por conta de Léo Cunha e Marcelo Calbucci, a produção executiva de Alexandre Azeredo, Arranjos de Luiz Antonio (Só Preto) e Rapha Braga. Masterizado pela Redtraxx Music e gravado no estúdio Casa 1, nos dizem uns sites. Outros, dizem que Fábio Brazza está em os 10 reinventores da música brasileira e que esse disco é uma declaração de amor ao país. Não vejo exagero.

1- Mistura aê (intro) - 0:00
2- Hip-Hopnotizado - 3:07
3- Uma Brasa - 6:28
4- Hey João (part. Arnaldo Antunes) - 9:28
5- De volta para o futuro (part. Isadora Morais) - 13:09
6- A gente gosta de inventar (part. Caju e Castanha) - 17:36
7- Brasi de Norte a Sul - 21:11
8- Sabe (part. Paula Lima) - 24:08
9- Moda de Viola - 28:00
10- Aiyra Ibi Abá (part. Mato Seco) - 31:26
11- Brasil que pode dar certo (part. Grupo Reduto) - 37:24
12- Imagina como seria - 41:16
13- Mistura aê (outro) - 44:30
2- Hip-Hopnotizado - 3:07
3- Uma Brasa - 6:28
4- Hey João (part. Arnaldo Antunes) - 9:28
5- De volta para o futuro (part. Isadora Morais) - 13:09
6- A gente gosta de inventar (part. Caju e Castanha) - 17:36
7- Brasi de Norte a Sul - 21:11
8- Sabe (part. Paula Lima) - 24:08
9- Moda de Viola - 28:00
10- Aiyra Ibi Abá (part. Mato Seco) - 31:26
11- Brasil que pode dar certo (part. Grupo Reduto) - 37:24
12- Imagina como seria - 41:16
13- Mistura aê (outro) - 44:30
Antonio Carlos Nicolau, 44, é produtor cultural. Suas primeiras impressões musicais estão entre 1980 e 1984 por meio de especiais de TV para crianças (A arca de Noé I e II, Pirlimpimpim, Pluct Plact Zuum). Em 1985, assistiu, também pela TV, o Rock in Rio e logo teve o primeiro LP do Iron Maiden em suas mãos. Desde então vem de sentidos abertos a quase tudo e todos.